Auto da Milícia Devassa na Capital

Prefácio da obra by Lusiáves:
Este auto, constituído por três actos, o 1.º, o 2.º e o 3.º, é uma obra de bom recorte técnico para ler neste tempo, especialmente ao fim da tarde quando não chove… Apesar de só ser apresentada a tradução do Acto I, trata-se de um texto cujo teor é sedimentado com a liquidez própria de obra apurada e sóbria, texto de qualidade impar, linguagem hermeticamente inserida, quadras lubrificadas de excelente rima, pouco recurso a figuras sem estilo.
As personagens, sobejamente conhecidas gozam desse paladino e aventureiro desejo só ultrapassado pela Linda de Sousa na sua Valise de cartão a salto para França.
A moralidade não existe, pois não se pode exprimir, tal como quem diz da Valentina Torres, «boa mulher», isso seria incomportável na expressão, «mulher boa». O tempo e o espaço, bem decorados servem a acção, sem detalhes desnecessários em que as personagens ora estariam sentadas, levantadas, ajoelhadas. Tudo serve a ideia central da felação.
É de bom-tom para a irmandade o degustar de cada vocábulo, frase e parágrafo. As quadras são de qualidade impar.


Acto I – Das razões da felação

Personagens:
Pila colada
Cónego Onofre
Compincha
Capitão magma clara
Coiro de barrotes tesos e moralistas
Tenente erecto


Narrador:
Corria o ano de não sei quantos e devia ser fim de tarde. Lisboa era esse espaço de praças e prazeres de mancebos esverdinhados, tropa macaca com a boina presa sobre o sedimento que restava da máquina zero com odor a salitre pegajoso que imanava das latrinas do aquartelamento.
Nas ruas e ruelas da capital a milícia entrincheirava-se, pisava as calçadas, ou então reunia-se no recôndito espaço exíguo do jogo das cartas trocadas. E conseguia-se escutar cada frase calorosa em tom de missiva: «dou eu»; «és tu»; «sacode aí»; «dá-lhe tu»; «agora limpa, miserável».
A situação econométrica do país era tal como hoje, um pantanal de parcos escudos, escassos na algibeira e no bolso roto da calça de sarja. Naquele tempo, tal como o hoje a malta era toda feita da mesma massa, homens de carne e osso que valorizavam o tremoço e a patanisca, o jogo da malha ou então uma boa cartada de lerpa.
Eram tão iguais como hoje que quando se sentavam à mesa, mesmo que estivesse presente o primeiro-ministro, nenhum puxava dos galões a dizer, «oh pá, sou engenheiro», porque ali ninguém era engenheiro, nem mesmo o primeiro-ministro. Nas escolas os alunos e os familiares não faziam fila para espancar o professor, porque para ser professor eram precisos homens de envergadura, profissão maioritariamente constituída por gente de etnia cigana, habituados a passear pelo país e especialistas na resolução de problemas com faca e naifa em punho. Quem fanava o telemóvel era o professor. O chumbo era desígnio nacional, as faltas contavam para não extinguir a existência física da pessoa, mas naquele fim de tarde jogava-se à lerpa, um jogo de míseros «tesos», foragidos do quartel da lapa.
E eis que começa o coiro de barrotes tesos e moralistas, iniciando um canto de duas quadras em sol maior, remastigando cada frase, caracterizando o herói vilão de seu nome, pila colada:
Magro, de olhos castanhos, carão moreno,
Mal servido de pés, pequeno na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Narigudo no meio, e não pequeno;

Capaz de jogar e empapar o terreno,
Mais propenso a mamar ternura,
Bebendo leite em taça escura,
Magma branco, letal veneno;

Começa o diálogo:
Compincha: - Olha Pila…, jogas? Vamos amarfanhar estes gajos?
Pila colada: - Jogo! Estou com desejo dessa gostosa cena de espadas!!!
Tenente erecto: Venham mais dois, assentados!
Capitão magma clara: Jogo consigo meu tenente!
Compincha: - Quem dá, Pila? Eu?

Enquanto ajeitam o maço, distribuem as cartas e estabelecem os primeiros olhares cativantes, surge uma voz de letal moralidade que vocifera em voz cavernosa, ecoando com estalido pela divisão, era o espírito do cónego Onofre. E logo escutam:
- Um homem tem dignidade, dois perdem-na! Mais vale não ter caroço que enxaguar um gânglio!!!

Narrador:
Junto ao pé direito da mesa de uma só perna jaziam os depósitos de quatro minis semi-frias da sagres. O jogo estava adiantado e prosseguia o diálogo.

Pila colada: - Compincha, isto está mau! Levamos pente já na primeira?
Compincha: - És um coirão! Quem paga?

Narrador:
Naquele tempo não se jogava a feijões, ervilhas, peixe miúdo ou de rabo na boca. Quando o azedava a partida tudo era permitido como forma de liquidação e liquefacção da dívida. O pente estava a sair. Pila colada e Compincha não tinham feito um único ponto. Entretanto ouve-se novamente o coiro de barrotes tesos e moralistas sussurram em voz baixa:
Devoto Pila de mil cidades
De xelins, provarás o excremento?
Mais valia inalar feijões frades;

Eis-te a jogar sem nenhum talento;
Ainda que digas cem mentiras, mil verdades,
Hoje vais ficar mais peganhento.

Narrador: e retoma-se o diálogo:
Tenente erecto: Estão fundidos!
Capitão magma clara: Apostou, mamou!
Compincha: - Quem paga? Perco o soldo?
Pila colada: - Nem uma pontada? Infortúnio do destino!
Compincha: - Como vais pagar?
Pila colada: - Mostra lá, que vais finar já!!!

Narrador:
O compincha baixou a calça de linho alvacento e deixou descair ligeiramente o tecido, como quem amassa o tirilene enrodilhando-o sobre as bainhas que cobrem o que resta dos pés achatados, debrum inacabado, linhas de puro fio, ceroulas de velho ou bastardo, e exige ali a consumação da felação!
Compincha: - Faz-te ao animal!
Cónego Onofre vocifera com voz cavernosa: - Homem falido é homem «cozido». - Ele não trabalha na terça???
Pila colada declama então para seus amigos em tom prosaico duas quadras sobre o sucedido:

Apenas vi esguicho pouco brilhante,
Chovia do torto mamífero, afadigado,
Não desceu à tripa, cuspi naquele instante!
Mas tinha sanguíneo carácter «mui» lubrificado,

Camaradas, o sumo dos tomateiros, morreu ali,
Não roubei nada, até posso dizer que foi de agrado,
Minha boca depredadora está ainda hoje aqui.
Volto a fazer às terças e sextas, é o meu fado!

Narrador:
O regicídio tinha sido não sei quando, e vivia-se em plena república. Mesmo sendo a população portuguesa quase toda católica, para quem o jogo era uma costumeira, via-se o transeunte empunhando o b©aralho depois das cartas, embriaguez leiteira na pensão do beato!

FIM DO ACTO I

Diário amaldiçoado - Espaço d´espartilha




Palavras de um «poeta» a fêmea alguma ….
Faz tempo suína, ou ainda outra coisa…
Teu corpo, necrópole de dejectos, dejecção de vaidade…
Quando foste rendimento que execrava notável bafio, bandulho remexido de matéria peganhenta, fabrico de esterqueira, ignóbil e abjecta. Parco somatório de riqueza, cova de qualquer suco contaminado …
Ridiculariza-te embustice, portento de desonestidade, sórdido género que no coito usas de um carpir finado…. E agitas a alcatra arquivando qualquer acolhida mais rude e áspera…
Sei-te rameira com a mona lisa, sei do teu abanar corpulento ….
Tenho na prece sumária de não cobiçar o teu fenecimento ronceiro, lancinante, para que expires na tua manigância breve, na léria de seres vitupério desbotado e desmaiado de quem te deu vida.
Estéril seria tua mãe se soubesse que te talhava no ventre, azarento pai que te deu em argumento na vigília da noite. Pior que o suborno de descendente a merendar, deglutir, inocular qualquer estupefaciente…
Vejo que tens o cortiço estendido sobre três tábuas de lenha, pezunhos para a frente, mãos rebaixadas a rolhar o que sobra dos teus delitos.
Ditoso esquife…





Mister t-shirt «xuta»



















Agora que existe um logótipo é tempo de pensar numa t-shirt para a irmandade e que inclua, além do logótipo, os «dizeres» ou frases famosas dos ligamentos (irmãos), a colocar nas «costas».

Aceitam-se propostas… Proponho que além do logótipo se coloque na frente:

®existe ligamento…
Today...
Tunday…
Tuesday…
Twoednesday…
Thursday…
The Fraday…
Two Saturday...
The Sunday...& The everyday…

Começamos pelo inevitável Pedradas

Vamos lá a mandar as propostas, para frente e costas para o endereço da Irmandade aligadura@gmail.com

O Processo Frota

Carta para o Meu Caro Amigo

Fiquei agraciado pela lucidez e reparo em tom sacarívoro da sua locução. Pena que a consciência pelada no pelado faça esquecer a enxertadeira com que me ofertou. Em poucas palavras, encalacrou-me uma luxação demasiadamente tenebrosa para que possa voltar a agitar-me nos tempos próximos.
Ainda assim deixe que faça uns reparos à missiva com que me presenteou:
1.º: os sinónimos de marafona estão ausentes do poder do contexto, do tom coloquial em que empreguei o vocábulo. Marafona é primorosa, possante, lúcida…;
2.º: designar-me com «certa pessoa» é ainda assim um privilégio, pois designou-me e atribui-me, na bravura da sua incontinência, o atributo de pessoa, espero que por bem;
3.º: não maltrate as veias, meu bom amigo. Se uns têm veias poéticas outros têm vasos!
4.º: quanto ao epíteto «Zé Cabra» não conheço! Conheço alguns Zés que às vezes andam com a cabra, outros com o Zé Cid…;
5.º: sabemos que não é grande jogador, mas é um «jogador em grande», a ver pela investidura e acerto das tenazes;
6.º: meu caro: - «se é falta só tinha que marcar»? Essa frase esvai qualquer possibilidade de refutação. A malvadez, intensidade, intenção não podem penhorar a boa vontade. Eu não penso de si, fazemos entretenimento conjunto.
7.º: Quanto à consideração que mereço… deveria??? Nisso perde aquilo que haveria de humanidade, ainda assim gosto de si, mesmo sem me acostar para desventrar o repouso;
8.º: Quanto ao regresso, devo dizer-lhe que nunca estive ausente. Isso era julgar-me morto, e sabe, não se morre só biologicamente, existem outras ausências…;
9.º: do Lusiaves sei, sei do poder de encaixe. O Lusiaves não é meu irmão, se é nosso, pior a «ementa que o cimento»;
10.º: Não poderei voltar a repousar no espaço recôndito do relvado por tempos: 1.º porque não relvo; 2.º porque me retirou nos tempos próximos a capacidade de gritar: «Etar, Etar, vai buscar!

Caro Amigo “desculpa, desculpa”, praguejar é mau, ainda assim posso dizer-lhe que Gosto de SI, intempestivo, extemporâneo, traçador, mas gosto! O invariante e constante Frota.
Deixe que lhe conceda um pouco de veia poética que tanto maldiz, nas palavras de José Carlos Ary dos Santos: uma parte de Ecce Homo

Desbaratamos deuses, procurando
Um que nos satisfaça ou justifique.
Desbaratamos esperança, imaginando
Uma causa maior que nos explique.

Pensando nos secamos e perdemos
Esta força selvagem e secreta,
Esta semente agreste que trazemos
E gera heróis e homens e poetas.

Carta mofa



Caro Lusiaves, a Vossa Mercê dirigida, a Vossa Mercê alçada:
Poesia ou poeta, melhor libar (perdoar) o nome desse intenso a secreto «suvão» (suíno), mas Vossa Mercê veste de besta, possivelmente porque não distingue essa diferença entre o padre que reza e o Mercedes (que) Benz.
- «Nescafé, não és nada!!!»
Vossa Mercê, que nas lides do cuidar sabe que dar banho a um «animal», ainda que seja qualquer um de nós, depende da encadeação, da tenção, e do sobretudo (casacão), e também dessa abelhudice que era ter um menisco e estar imiscuído.
Concertina (acordeão) e de certeza que paira no ar essa ausência, ainda que formoso, gracioso, mas Vossa Mercê tem a coloração de quem sabe ser piteira (calote) de uma qualquer guarda. Apetece dizer-lhe: - Guarda cada escarro (pito), vil velhaca (ave)!
Ainda assim sei de Si, Afeiçoado, compreendo-o compassivamente, imagino desse dano irreparável que é ser-se constitutivamente fenda das labregas (redes). Meu caro o seu estar (estatuto) é tão simplesmente uma certeza (verdade): - é um fiteiro das balizas, vaidade e baldada.
Olhar a sua fronte, esculpida doçura, ainda que soletre para si: - «sou um gajo calmo»! - Vossa Mercê padece dessa lancinante agonia, ser e estar em clarão (lume) brando. Diga-se em abono que anda adocicado, está mais sacarino.
E sei se si! Sei que clama por mim, tal como a marafona (cabeçudo) que pega no seu amolado (aguçado) chavelho e dispara sobre qualquer «ente» (ser; pessoa) que lhe apreça no espaço mais recôndito da íris, celeuma (ruído) que escuta naquele ouvido, ruído da sombra.
Ainda que a marafona jogue mal, que peça absolvição (desculpa, desculpa…), que se preze em ditar a consequência da regra (- Se é falta marca. – Diz ele), nada justifica esse seu fixíssimo problemático sobre a poesia.
- Inspiração? É o mal da poesia? Diga-me!? – Não creio!
Esqueci que para si inspirar e expirar segue um modelo holístico, tal como para o néscio (ignorante). Efeito, defeito, deformação, mas devem todos os irmãos ter compaixão de si.
Eu, seu Amigo natural, tal a ordem das coisas, espero pela sua nova mutação: - Dani, o frango não para aí!
Abençoada essência!

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