Os tempos áureos dos 3ªs e 6ªs


Com o objectivo de dar a conhecer um pouco das origens do que é agora a Irmandade d'Aligadura, se publica esta foto colhida aquando da conquista do bi-campeonato organizado pela Casa do Pessoal dos HUC, que por motivos que podem ser explicados no área destinada aos comentários, acabou também por ser o último em que os (na altura) Psicocopos participaram.
Em cima e da esquerda para a direita: Prof. Pardal, Luis Martinho, Pézinhos de Lã e Fernando Lopes.
Em baixo e também da esquerda para a direita: Tó, Marco, Paulo Simões e Onofre.
Do lado direito da imagem, os 2ºs classificados, a equipa do Arquivo.



No ano seguinte, os 3ªs e 6ªs inscreveram exactamente a mesma equipa e depois de terem "batido" no terreno de jogo a equipa do Bloco Operatório, digo melhor, do Seixas, viemos a ser arredados do torneio na secretaria em circunstâncias muito pouco dignificantes para a (des)organização e que abaixo nos permitimos dar conhecimento:

"Exmo. SenhorEngenheiro Besteiros

Digmo Presidente da Casa do Pessoal dosHUC

Antes de mais pedimos-lhe que não nos leve a mal pelo facto de lhe virmos tomar algum do seu sempre precioso tempo. Acredite que não é de ânimo leve que o estamos a fazer, mas o nosso passado como associados da Instituição a que preside e um acontecimento que consideramos deveras injusto e completamente fora do espírito que julgamos ter estado na base da organização do mesmo, “obriga-nos” a fazê-lo.

Não querendo ser exaustivos e/ou maçadores, faremos no entanto um recuo no tempo com a finalidade de tentar transmitir a V. Exa. o porquê do referido acontecimento.

Somos desde há muitos anos (alguns de nós do “Hospital Velho”) um grupo de amantes dos benefícios da prática desportiva em geral e do futebol em particular. Prova disso mesmo é o facto de termos estado juntos tantos minutos, tantas horas, tantos meses, tantos anos que já lhes perdemos a conta. Este grupo de amigos tem desde há muito um nome; Terças e Sextas. Juntamo-nos religiosamente nestes dias da semana, esteja frio ou calor, chova ou faça sol, no pavilhão polivalente destes Hospitais com o intuito de manter “vivos” valores entretanto adquiridos, como a união, a amizade, o companheirismo e um espírito de solidariedade, raros nos tempos que correm e que têm sido motivo de orgulho para todos nós.

Por motivos de que não interessa agora falar, alguns elementos deste grupo de amigos deixaram de desempenhar regularmente funções nestes Hospitais, facto que não foi suficiente para abandonar o grupo. A manutenção desta “ligação” permitiu inclusivamente que esses mesmos elementos continuassem a integrar a Equipa das Terças e Sextas nos vários torneios de FutSal organizados pela Casa de Pessoal dos HUC até à presente data, tendo inclusivamente e com muito orgulho e prazer, conquistado o mesmo em dois anos consecutivos. Alguns deles chegaram até a representar a Equipa de Futebol de Onze dos HUC em torneios inter-hospitalares. Resumindo e concluindo, têm estado connosco desde sempre como se funcionários destes Hospitais ainda se tratassem.

Quando em Abril tomámos conhecimento de que, à semelhança de anos anteriores, teria lugar mais um torneio de FutSal organizado pela Casa de Pessoal, embora com algum receio de espíritos menos desportivos poderem “boicotar” um grupo de há longos anos, e porque para nós ganhar é obviamente importante, mas a sabedoria do perder desportivamente é-o ainda mais, optámos por não excluir do grupo aqueles elementos que tendo trabalhado nestes Hospitais, tendo história de participações prévias em torneios organizados pela nossa Instituição, inclusive representando-a pelo país fora. Foi com este espírito que inscrevemos a equipa, tendo o cuidado de nem sequer lhe mudar o nome (Terças e Sextas).

Foi indicado como Delegado da equipa, por ser um dos mais antigos associados da Casa do Pessoal, o Sr. Vítor Cortesão que, infelizmente, no dia da habitual reunião realizada com os delegados antes do início do torneio, se encontrava de férias e não pode estar presente. Por motivos de força maior o Sr. Carlos Costa, nome indicado como Vice-delegado, também ele associado da Casa do Pessoal desde o primeiro ano de funcionário, não pode igualmente estar presente na referida reunião. Alguns dias depois foi-nos entregue o respectivo calendário da prova, ao contrário do habitual, sem qualquer regulamento da prova e/ou Acta da referida reunião.

No dia indicado para o primeiro jogo, com a equipa da Segurança, apesar dos circunstanciais 5 elementos disponíveis, à hora marcada lá estivemos para disputar o primeiro jogo que, com a sorte sempre necessária neste tipo de competições, conseguimos ganhar. Nada de anormal se passou após o jogo ganho dentro do campo.

No segundo jogo, porque a equipa Chuta-à-bola se apresentou apenas com 4 elementos, foi-nos atribuída a habitual vitória por falta de comparência com o resultado de 3-0. De novo tudo a passar-se dentro da normalidade.

No terceiro jogo, com a equipa do Bloco, depois de termos ganho novamente o jogo dentro das “quatro linhas”, começaram os problemas. A equipa adversária protestou verbalmente o jogo pelo facto de termos participado “no jogo com 3 jogadores que não trabalham na Instituição” (ver Ofício nº 0158, em anexo). Os elementos em questão são os seguintes:

Paulo Simões, Jorge Seco e Armando Serra.

Na 4ª Jornada, a Urgência, apenas depois de terminado o jogo e talvez por o ter perdido de forma inesperada, deu um exemplo do que não deve ser o espírito do fair-play de saber perder e terá protestado o jogo, alegando que a nossa equipa se tinha apresentado “com dois jogadores em jogo, que não trabalham na Instituição” (ver Ofício nº 0158, em anexo).

Apresentamo-nos no dia e hora marcadas à 5ª Jornada para “defrontar” os Circuitos. Inscrevemos os jogadores disponíveis, disputamos o jogo, a equipa adversária foi melhor e ganhou por 4-1. Tudo normal no final.

Na manhã do dia 6 de Maio fomos notificados por telefone de dois factos:

1. Adiamento do jogo por causa da Queima das Fitas;

2. Aviso de que iríamos nesse mesmo dia receber uma carta proveniente da Organização do torneio relacionada com inscrição “irregular de jogadores”.

No passado dia 08 do corrente mês, véspera do dia para o qual estava marcado o nosso 6º jogo, recebemos finalmente a referida carta, da qual nos permitimos anexar uma cópia.

Reunidos todos os elementos da nossa equipa e analisado o conteúdo da mesma, foi consensual a atitude a tomar. Por motivos óbvios de solidariedade, não nos restou outra hipótese senão decidirmo-nos pela não continuidade no torneio.

Depois de expostas as razões que nos levaram a inscrever os referidos elementos bem como a cronologia dos acontecimentos, não podemos deixar de nos “defender”, esclarecendo algumas situações relativamente às quais julgamos não ter havido a necessária preocupação por parte da Organização no apuramento dos factos, antes da decisão consubstanciada no referido ofício.

Com efeito, de acordo com um documento que anexamos, existe um Protocolo de Cooperação celebrado entre os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) e o Hospital Psiquiátrico do Lorvão (HPL) relativo ao funcionamento das Consultas Externas, datado de 1 de Março de 2002, que diz no Artº 8º da sua Adenda que “o restante pessoal que integra a equipe da Consulta Externa do HPL (Enfermeiro e Assistente Social), desenvolverá, doravante a sua actividade na Consulta Externa dos HUC. Ora, os elementos Paulo Simões e Jorge Seco encontram-se, à luz deste Protocolo, na situação de funcionários do HPL e simultaneamente de prestadores de serviços aos HUC, situação aliás e em nossa opinião análoga à de outros elementos integrantes de outras equipas, algumas das quais constituídas exclusivamente por elementos nestas circunstâncias. Acrescentamos que a equipa da Urgência, que terá apresentado protesto por escrito alegando inscrição irregular de elementos da nossa equipa, integrará ela própria e ao que conseguimos apurar, um elemento de nome José Faria, que pertencendo à Empresa de Segurança da Faculdade de Medicina, no presente momento e circunstancialmente se encontra a prestar serviços nos HUC.

Quanto ao elemento Armando Serra, somos nós os primeiros a reconhecer e a dar razão ao que terá sido acordado na reunião de pré-torneio com os Delegados. Com efeito este elemento foi funcionário no Serviço de Oftalmologia destes Hospitais entre 1990 e 1994, e depois no IBILI até 1998, encontrando-se agora a trabalhar no Instituto de Medicina Legal de Coimbra. Foi inscrito na nossa equipa pelos motivos atrás já descritos (funcionário dos HUC durante vários anos; integrou pela equipa Terças e Sextas todos os torneios internos organizados pela Casa do Pessoal; representou a mesma Casa do Pessoal em torneios inter-hospitais (alguns dos quais já sem trabalhar nos HUC, não tendo constituído este facto qualquer obstáculo); manteve até à presente data uma ligação de presença física/desportiva com os amigos que se juntam há anos no campo polivalente dos HUC).

A decisão da não continuidade no torneio deste ano foi por nós tomada, como atrás já foi referido, por uma questão de solidariedade e a razão que nos leva a efectuar a presente exposição prende-se apenas com o facto de sentirmos a necessidade de esclarecer devidamente uma questão que se nos afigura injusta e reveladora de duas coisas: por um lado, a falta de fair-play e de saber perder de algumas equipas, facto completamente alheio à organização do torneio, e por outro, a análise e decisão, em nossa opinião aligeirada, do protesto da equipa da Urgência.

Certos de que este assunto merecerá de V. Exa. a melhor atenção, aproveitamos a oportunidade para endereçar os melhores êxitos para as funções sempre “espinhosas” e por vezes ingratas que se encontra a desempenhar.

Com os nossos melhores cumprimentos.

Coimbra, 12 de Maio de 2003."




Estimados IRMÃOS,
Começo por pedir desculpa pelo atraso na resposta ao vosso repto, que muito me sensibilizou. Com efeito a demora teve apenas a ver com motivos de saúde de familiares que ainda não estão resolvidos. Ainda assim e pelo respeito que me merecem, lá consegui tirar um tempinho para vos responder e transmitir o que me vai na alma.
Compreendo e agradeço que gostariam de me ver próximo de vós nos torneios em que decidem participar. Acreditem que também teria muito gosto nisso.
Acontece que tenho uma personalidade (para mal dos meus pecados) que me confere muita dificuldade em gerir relações com pessoas cujas acções e atitudes não estão de acordo com os valores com que fui educado pelos meus progenitores que muito admiro e aos quais (valores e progenitores) sou, por força da referida personalidade, fiel. Outros defeitos terei, como qualquer outro…
No caso concreto que vos dei a conhecer com a publicação no Blog da carta que na altura eu elaborei e juntos (os participantes desse malogrado torneio) subscrevemos, os valores que imperaram na altura foram de facto, e que me perdoem todos os Seixas e outros da Costa (até porque também eu sou Costa), traumatizantes para mim o suficiente para não permitir que me volte a “meter” nesse tipo de “disputas” estupidificantes para seres humanos que se distinguem dos demais por alegadamente serem seres dotados de pensamento, raciocínio e inteligência, mas que por sinal e infelizmente, ou nunca o foram ou se o foram, por qualquer motivo perderam essas capacidades.
Termino como terminam muitas cartas de amor, dizendo que amo a Irmandade d’Aligadura e que é com ela que me revejo e é com ela que quero estar, sem a presença de terceiros, estrangeiros, interesseiros e todos os outros ……eiros que possam imaginar. Essas ervas daninhas da sociedade apenas servem para estragar e minar tudo o que de mais bonito existe e que é o companheirismo, a amizade desinteressada e desinteresseira.
Ganhar sabe bem, concordamos todos; mas não a qualquer preço!!! Até porque há coisas na vida que não têm preço!!! Já saber perder com Dignidade e Fair-Play não está ao alcance de todos.
Bem hajam por existirem e darem sentido à vida!!! Porra… quase chorei de emoção!
Ass: Pardal, a quem alguém teve a triste ideia de conferir o estatuto de Professor.

Tomo a liberdade de regressar a este tópico com o objectivo de aqui deixar um link onde os Irmãos que estão na génese do actual grupo poderão saudosamente recordar os troféus que ajudaram a conquistar ao longo do tempo em que com o nome de, primeiro, 3ªs e 6ªs e posteriormente Psicocopos, foram demonstrando que com companheirismo, lealdade e dedicação se podem criar laços inquebrávelmente eternos...
Clica e vê os troféus

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