Carta ao Noddy e à Mancha



Prelúdio:
Caros Confrades, vou tentar aclarar delicadamente alguns comportamentos vexatórios ou vocábulos impróprios, ocorridos e ditas durante o último derby, que na realidade representam chacinas, ou melhor uma via-sacra no campo e na sua extensão.
Será tudo uma questão de perspectiva considerar apenas campo de batalha a exígua área de um rectângulo, vestido de uma tenra tonalidade verde, tão sumida quanto consumida? Então e o lodo lamacento do lago? O aprume dos cedros, equimose outonal, que nos dias mais ventosos se inclinam como o de qualquer um depois de cumprir a função? E o alarido barrento das expressões: - «etar, etar, … mais uma para a etar.»? Na verdade tudo aquilo existe, tudo é triste, tudo está estragado. Poderão alguns recorrer no Erro do Outro, quando afirmou: «penso e não jogo, mas se jogo não penso também».
Meus caros confrades, irmandade, afeiçoados pela tempestuosa contracção, julgados pela justeza do amigo Faneca, o «passar» do pardal, as investidas do Dignidades, a clareza do Onofre, ou mesmo a letargia do Noddy.
Vou tentar recorrer ao género novela para que entendam o que vos conto. Era Quinta-feira, um desses dias que o chamariz do sol lembra primavera mas a rameira da tempestade tende a arremessar para a invernia. Juntaram-se onze (11) exemplares, divididos «equitativamente», uma equipa ficou com cinco (5) e outra com seis (6). Ainda assim, devo salientar que a equipa à qual pertenci ganhou das quatro vezes que se iniciou o jogo do «0-0».
Era Quinta-feira, a última em que nos encontramos no coliseu dos HUC, a fazer lembrar a tragédia dos jogos romanos. Eu também reapareci ali, pois quando deixo o campo não deixo de aparecer. Fui escolhido por uma equipa, não uma escolha qualquer, ou qualquer escolha, mas na verdade a partir das estatísticas rigorosas e credíveis que todos conhecem, e que respeitam ao meu desempenho futebolístico, isto é, à clareza distinta de uma quadratura ajustada: a minha equipa; as regras e normas de conduta; o adversário; a bola.
Todos sabem que morteiro ou passe saído dos meus pés segue:
a) 40% das vezes é um passe bem fabricado;
b) 35% das vezes acerta no pardal, quer seja no bico ou então na asita;
c) 10% das vezes entra na baliza
d) 10% das vezes (pode ser) é mal medido ou mal entendido
e) 2.5% das vezes o esférico vai espraiar no lodo do lago
f) 2.5% das vezes encaminha-se para a etar.
Tudo segue o seu rumo, como aliás explica a lei dos grandes números. Da última vez, apenas cinco (2+3) seguiram rumo incerto. Mas eis que surge um pequeno «prurido».
Era quinta-feira e de facto nesse dia a expressão «abram alas para o Noddy» aplica-se na íntegra. Cada vez que o rapaz açoitava a bala, chispado na fileira, excluía o esférico do jogo. Só para o lago foram umas seis (6).
Ainda assim esquece-se com regularidade que a geometria do seu futebol mete fastio, melhor, mete o casco ou chispe do fastio. E era ver o rapaz a deambular, esquerda ou direita…, destilado como escuteiro na procura de traçar o azimute com bisturi. Não me esquece os tempos em que o rapaz foi meu discente, geração que não abatia o lente na sua lição, pelo sacar temporário de uma sucata de 2.ª ou 3.º geração… Aquele «miúda», que na plena expressão da retina dá para ver que pesa mais que duas botijas de gás, deveria vir jogar com a malta para saber da natureza dos «maus-tratos».
Mas o aviltamento total, foi o momento da natureza naturante do Faneca, já depois do jogo. A malta fazia dolorosamente o caminho do calvário, desculpem, a caminho do balneário, e eis que urge do nada a expressão que reduz a nada o que era já peva ou patavina. - Funcionários públicos??? …. Hoje nem trabalham de tarde – exclamou exaltado o Faneca, mesmo depois de ter ganho.
O Onofre, com a quietude e bonança que se lhe reconhece, tirando o caso de incursão no campo para abonar o juiz da partida com um balázio de ultrajes no bucho, e que pode fazer porque alem de sócio, é da ligadura e aquilo também não é propriedade privada, tentou acalmar o ânimo dizendo ao Faneca, ainda mais exaltado: - Olha lá, tu trabalhas à segunda?
O Faneca esgrimiu um argumento e declamou: - Hoje queria pagar não sei o quê às finanças e cheguei lá e «tava» fechado!
Toda esta frase do nosso Amigo Faneca foi em tom atribulado como quem distribui ou espalha uma iguaria, uma nata para nove (9) amigos. Também eu, Úrsula Maior, no suor da roupa e no calor da cavaqueira, lhe questionei:
- Como podes falar dos funcionários públicos e das finanças? Quantas facturas passadas o ano passado? A dona Ermelinda que não faz «escrita», pediu-te algum recibo dos quilos de chicharro de guelra azulada e com fedor a esquife que lhe vendestes?
Perante o facto, o dito, o Faneca enterneceu-nos uma vez mais, expressando uma constatação tão íntima quanto os quilos de chaputa, goraz, palmeta, lulas, alienados no seu propago de venda: - O peixe de rabo na boca é o peixe mais porco que existe!
É verdade, O AMIGO FANECA está no seu melhor! Viva a ASAE.


5 comentários:

LusiAves disse...

Toda esta poesia para dizer que passou as duas horas de jogo a desfazer as pregas da saia, a regar as flores que se encontram a embelezar o seu belo chapéu de palha e a mandar inesperadamente, dado que a bola embate na sua bela pata IMÓVEL(segundo o próprio) e ganha tamanha velocidade, tal é a suavidade da sua penugem que vai parar à ETAR, às bancadas, aos balneários, ou quiça à cabeça de um qualquer aspirante a tenista, isto porque o Lago ficou no sentido contrário. Verdade seja dita, a nossa querida ursinha teresa desfez todos os ataques da equipa contrária, resultando em várias vitórias da nossa equipa numa tarde histórica em que se destacou o nosso imparável papa-golos e seu sobrinho. Uma Palavra para o Pedradas que apesar do seu enorme esforço percorrendo quilómetros ao longo dos jogos, foi guarda redes, foi defesa, foi avançado e mesmo assim não encontrou um colega que compreendesse os seus passes, as suas movimentações, ou colocação dentro de campo, não sendo capaz de levar a sua equipa à vitória.

Frota disse...

Faltei eu ..................Eu sei comigo em campo a "conversa" é outra.lool.

LusiAves disse...

Desculpa...

Frota disse...

Lusiaves eu sei que querias chamar por mi,que sentiste a minha falta,etc,etc.Mas quando o fizeres não podes só dizer "desculpa",tem que ser "Desculpa,Desculpa"..Lool

LusiAves disse...

Só jogando do meu lado é que fazes o gosto ao pé... a não ser que o Luisão esteja em campo a distribuir jogo... :D

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